Organização: Plataforma GANG
O que podemos aprender com as plantas? Pensar sem cérebro, mover-se sem músculos. Como compor uma dança vital que, mesmo permanecendo em repouso, se expande lentamente em todas as direções? Como as raízes rizomáticas dos manguezais e as águas que confluem da floresta amazônica, nossos corpos não são fixos ou estáticos. A estética rigorosa das plantas revela sua dança e linguagem. Fazem do silêncio de seus movimentos uma melodia misteriosa, na cadência serena de suas coordenações imprevisíveis. Através de seus mecanismos mágicos para se alimentar revelam tanta força criativa, a via pela qual está a energia de nossa Mãe Terra; um processo invisível aos nossos olhos. Desacelerar e transitar para outros modos de ser. Selvagem. Vegetal. Imaginar outros movimentos, curvas e torções retornando para a atmosfera encantada de nossas existências; quando o ambiente se torna corpo.
A pesquisa em dança se desenvolve a partir de uma metodologia de criação desenvolvida através de imagens, narrativas e memórias ancestrais inspiradas nas cosmologias das religiões afro-brasileiras (especialmente na mitologia dos Orixás Ossain e Nanã), assim como nas obras e estudos de Stefano Mancuso (A revolução das plantas) e Mauricio Florez (Dança e o jogo das metamorfoses). O projeto consiste no desenvolvimento de uma obra-performance com duração aproximada de 40 minutos e na sua circulação em territórios e comunidades nos estados do Pará e Maranhão. Pretende fazer uma abordagem sobre os modos de habitar o corpo e o mundo, propondo reflexões sobre as atuais mudanças climáticas, nossa condição humana, as realidades hídricas e ambientais partindo dos ensinamentos e cosmopercepcões herdadas da ancestralidade e espiritualidade das culturas e religiões de matrizes africanas. Projeto contemplado em 2024 com a BOLSA DE MOBILIDADE CULTURAL AFRO-BRASILEIRA pela Fundação Cultural Palmares